EDITORIAL | Sindicato forte é sindicato que se posiciona

EDITORIAL | Sindicato forte é sindicato que se posiciona

Por Salomão de Castro Farias

Vivemos um período de grande crise do regime democrático. Neste cenário, o Sindicato tem um dever político junto aos trabalhadores de sua base: defender o que foi construído com muito trabalho e suor.

Professores e professoras filiados ao SINPROSASCO

Meu nome é Salomão de Castro Farias e, atualmente, ocupo a presidência do Sindicato. Dirijo-me a vocês em nome de toda a Diretoria Executiva dessa entidade.

Desde suas origens, as organizações sindicais existem com o compromisso fundamental de defender os interesses de uma determinada categoria de trabalhadores contra as investidas dos empresários no desejo de subtrair direitos. Os sindicatos buscam garantir a manutenção de conquistas para exercer sua atividade profissional com o mínimo de dignidade, proteger os trabalhadores e trabalhadoras na relação desproporcional entre o capital e o trabalho e, em uma instância, representar o conjunto de trabalhadores da categoria nas disputas políticas, nas tensões existentes por legislações que favoreceram e respeitem os trabalhadores e que sejam um anteparo contra as injustiças sociais, típicas do mundo capitalista.

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Foto: Manifestações da Greve Geral de 1917. Fonte: CUT

Nos últimos anos, os trabalhadores e trabalhadoras vêm sofrendo consecutivas derrotas com a supressão de direitos que foram conquistados com muita luta. Em especial, nossa categoria vem sendo atacada e nossas condições de trabalho estão cada vez mais sucateada. Podemos destacar, como exemplo, a Reforma Trabalhista, que, praticamente, acabou com a aposentadoria especial da Professora, que, mesmo trabalhando por 25 anos, iniciando sua atividade muito cedo, não terá idade suficiente para gozar deste justo benefício. Além disso, a Reforma Trabalhista dificultou os instrumentos de reivindicação e mobilização dos trabalhadores, enfraquecendo os Sindicatos, tornando o direito de greve ainda mais restrito, desestruturando a Justiça do Trabalho. Em resumo, a Reforma Trabalhista facilitou a vida dos patrões que buscam desrespeitar as leis e retirar direitos nos trabalhadores.

Vivemos um período de grande crise do regime democrático. O Presidente da República, corriqueiramente, ameaça sabotar os instrumentos legítimos do Estado Democrático de Direito, apela para a violência como forma de submeter o povo à sua vontade, conclama as forças paramilitares para se manter no poder, independente do resultado das urnas. Nem mesmo durante o Regime Militar, que vigorou entre 1964 e 1985, vivemos tempos tão sombrios e preocupantes.

Neste cenário, o Sindicato tem um dever político junto aos trabalhadores de sua base: defender o que foi construído com muito trabalho e suor, o que foi conquistado com grande dificuldade e obstinação de homens e mulheres que ofereceram suas vidas para que pudéssemos chegar aos dias de hoje com o mínimo de dignidade possível,  Para isso, precisamos escolher um lado: o lado que apoia a democracia, que defende, e sempre defendeu, a classe trabalhadora, que prega o diálogo e, sobretudo, que enxerga um país pacificado, uma democracia com o maior de seus valores: o direito ao contraditório.

É justamente por acreditarmos na democracia que o Sindicato não força e nem obriga nenhum filiado a ter concordância com a nosso posicionamento político e eleitoral. Mas é nosso dever tomarmos e explicitarmos nossa posição diante do cenário político nacional. Reforçamos que acreditamos que o nosso lado é aquele em que os direitos dos trabalhadores serão respeitados e defendidos.

Os Sindicatos são instrumentos de luta da classe trabalhadora e nunca, na história recente, fomos tão atacados quando agora. Não temos ninguém que faça lobby em nosso favor no Congresso Nacional ou no Executivo. E justamente por isso, temos o dever de problematizar questões importantes e caras a nossa existência.

Vamos ocupar o papel que a História nos oferece: estamos trabalhando e continuaremos trabalhando incansavelmente contra o atual governo, que despreza a população e ataca diariamente os trabalhadores e a democracia; defenderemos a formação de um Congresso Nacional mais progressista e que defenda leis que melhorem a vida do povo brasileiro: vamos lutar para garantir que os parlamentares  tenham na defesa da pauta das minorias um valor inestimável e que defendam de forma intransigente nossos direitos e nossas expectativas, respeitando as normas democráticas, as regras morais e tudo aquilo que é  caro para a construção do edifício do Estado Democrático de Direito.

Infelizmente, há aqueles que acreditam que esse não é o papel do Sindicato. Lamentamos muito por isso. É necessário revisitar a História e saber de onde partimos para saber onde pretendemos chegar. Este será o papel do SINPROSASCO neste momento tão caro de nossa existência e não fugiremos a ele, por mais críticas que possamos receber.

Não estabeleceremos nenhum tipo de censura aos nossos filiados, pois quem cumpre esse papel de censor são, justamente, aqueles que queremos derrotar. Trabalharemos arduamente mostrar a todos e todas a gravidade do momento que atravessamos, que mudanças são necessárias, que o coletivo deve ser privilegiado em detrimento do individual e que períodos difíceis exigem posicionamentos fortes.

Sindicato é para lutar! Longa vida aos que lutam!

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