07/04 – Dia Nacional de combate ao bullying e violência escolar: O que fazer para combater a violência nas escolas?

07/04 – Dia Nacional de combate ao bullying e violência escolar: O que fazer para combater a violência nas escolas?

Conteúdo da Campanha Nacional pelo Direito à Educação adaptado pela redação do Sinprosasco

Diante dos terríveis acontecimentos das últimas semanas, a temática da violência escolar e do bullying ganharam ainda mais relevância. Neste dia nacional de combate ao bullying e violência escolar, veja quais medidas podem ser adotadas para colocar fim à violência nas escolas.

A violência contra as comunidades escolares é reflexo de um conjunto de problemas estruturais na sociedade brasileira que têm sido amplificados por comportamentos e atitudes diametralmente opostos à construção de uma cultura de paz.

Os últimos episódios sinalizam o crescimento do extremismo de direita entre adolescentes e jovens.

Nesse sentido, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação elaborou um relatório com orientações ao poder público para realizar um enfrentamento efetivo à violência das escolas. O documento “O extremismo de direita entre adolescentes e jovens no Brasil: ataques às escolas e alternativas para a ação governamental”, que foi entregue ao grupo de transição do Governo Federal, foi organizado por Daniel Cara – que integrou a área de educação do governo de transição – e produzido com as seguintes pesquisadoras da Rede da Campanha: Andressa Pellanda (coordenadora geral da Campanha), Catarina de Almeida Santos, Claudia Maria Dadico, Fernanda Rasi Madi, Fernanda T. Orsati, Juliana Meato, Letícia Oliveira, Lola Aronovich, Luka Franca, Marcele Frossard e Paola da Costa Silveira.

Confira aqui alguns pontos do relatório e o que professores, escolas, famílias e o poder público podem fazer para combater a violência nas escolas:

Para as Escolas

  • Reconhecer e compreender esse fenômeno específico que conecta a juventude aos movimentos supremacistas, especialmente os jovens do sexo masculino, brancos e heterossexuais.
  • Fortalecer as comunidades escolares para que sejam “círculos” agregados de mobilização contra a violência.
  • Impulsionar a formação continuada de professores sobre o extremismo de direita e como enfrentá-lo, contribuindo para que a comunidade escolar saiba identificar alterações de comportamento nos jovens, como interesse incomum por assuntos violentos e atitudes agressivas.
  • Criar parcerias com outras instituições que atuam na rede de proteção de crianças, adolescentes e jovens.
  • Implementar uma educação crítica da mídia em transversalidade, incluindo componentes curriculares de todas as áreas do conhecimento, com enfoque no combate à desinformação e ao negacionismo científico.
  • criar uma política pública de convivência escolar que proporciona a possibilidade de transformação da instituição escolar e a ressignificação da educação.

No âmbito psicossocial

  • Presença permanente de psicólogos e orientadores educacionais no âmbito escolar, fortalecendo as relações entre a escola e a comunidade, e trazendo discussões sobre as violências e seus enfrentamentos e prevenções.
  • Prestação de assessoramento e apoio psicossocial a membros da comunidade escolar vítimas de violência nas dependências de estabelecimento de ensino ou em seu entorno.
  • Promoção de programas educacionais e sociais direcionados à formação de uma cultura de paz.

O que não fazer!

  • A formação que combata o impacto do extremismo de direita e que previna que os jovens sejam cooptados pelos grupos extremistas não será possível em escolas militarizadas e/ou transformadas em local de confinamentos e punição. O ambiente escolar deve ser saudável e acolhedor
  • É importante não tratar como “terrorismo” todos os casos de cooptação de adolescentes pelo extremismo de direita, pois ao focalizar exclusivamente a prevenção de atentados, exclui-se a possibilidade de prevenir que adolescentes sejam cooptados por grupos e discursos de extrema direita que não necessariamente incentivam o cometimento de atos terroristas.

É preciso debater, sim, as violências que se dão no interior da escola e suas causas – que passam pela problematização das políticas de padronização curriculares, de avaliações de larga escala, da infraestrutura inadequada, do número excessivo de estudantes por turma e por docente, das precárias condições de remuneração e trabalho, da falta de alimentação escolar em quantidade e nutricionalmente segura, das desigualdades de permanências, dos currículos que não respeitam a diversidade, da militarização das escolas, dos projetos que visam cercear as liberdades de ensinar e aprender.

Trecho do Relatório O ultraconservadorismo e extremismo de direita entre adolescentes e jovens no Brasil: ataques às instituições de ensino e alternativas para a ação governamental – Elaborado pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

O combate à violência escolar é um desafio que toda a sociedade brasileira deve assumir, articulando e somando esforços para que a escola seja, enfim, um ambiente de acolhimento permeado pela cultura de paz.

Você pode acessar o relatório da Campanha Nacional pelo Direito à Educação AQUI.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

×