O autoritarismo na formação da sociedade brasileira

O autoritarismo na formação da sociedade brasileira

Historiadora discute as raízes do autoritarismo brasileiro em entrevista exclusiva à revista GIZ, do Sinpro SP. “Só o diálogo trará caminhos mais frutíferos e menos ressecados, como o que vivemos”.

Lilia Schwarcz é uma historiadora e antropóloga brasileira com irrefutável consistência acadêmica. Professora titular da Universidade de São Paulo, já chegou a ganhar o Prêmio Jabuti por uma obra que fala sobre a vida de Dom Pedro II, em 1999.

No livro Sobre o autoritarismo brasileiro (Cia. das Letras, 2019), Lilia agora discute racismo, violência e autoritarismo no país, pensando de modo arqueológico em como essas características fundaram o imaginário de nossa sociedade. Pensa o nosso passado colonial, o mito da democracia racial, desigualdade de gênero, patrimonialismo, até desembocar no pós-eleições de 2018 e a vitória de um líder da extrema-direita.

“Precisamos entender essa ascensão autoritária brasileira como uma queda, uma redução da noção de Res Pública, de coisa pública. É ainda uma resposta ao assombro que vivemos em 2018. Como explicar que o que está subindo ao poder, por mais truculento que possa parecer, foi escolhido por nós? Foi feita nossa vontade. É como se nos últimos meses, o Brasil tivesse aberto uma porta perigosa, que revela sentimentos e pensamentos muito contrários à Democracia. Se, no passado próximo, havia certo constrangimento em defender ideias assim, hoje, ao contrário, valores autoritários, ligados àquela herança que tentamos negar, estão autorizados a circular por aí. E o governo atual não só autoriza, como incentiva tal prática”, responde a pesquisadora à revista.

Fonte: Fepesp

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