Letramento racial urgente

Letramento racial urgente

Por Regina Lúcia dos Santos e Milton Barbosa* – Alma Preta (Publicado em 15 de novembro de 2022)

É imperioso compreender que a negação da participação negra na construção do país, o respectivo ocultamento da produção negra nas mais diversas áreas do conhecimento entrega para a população uma história mentirosa

Estamos no mês da consciência negra, as vésperas do 20 de Novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, e a todo momento pipocando casos de racismo, casos de violência racial.Nunca foi tão importante entender a necessidade de letramento racial para toda a sociedade brasileira.

O Brasil, assim como toda a história da colonização, tem uma história fraudulenta, um grande estelionato histórico. É imperioso compreender que a negação da participação negra na construção do país, o respectivo ocultamento da produção negra nas mais diversas áreas do conhecimento, das artes, da produção agrícola entrega para a população uma história mentirosa, que não dá a dimensão real da existência e da importância da população negra. 

Segundo a avaliação que temos o Brasil tem entre as pessoas racistas dois grupos: os racistas por convicção ideológica, para defesa e manutenção de seus privilégios, que é a absoluta minoria e um contingente bem maior as pessoas que são produto de uma educação racista, que naturaliza a perversidade da desigualdade racial existente em nosso país, por desconhecer completamente a participação de negras e negros na história do Brasil. É pra este segundo grupo que o letramento racial faz-se absolutamente indispensável, porque a solução para o racismo no Brasil não é e nem deve ser um problema somente para os negros mas é sim um problema pra toda a sociedade brasileira..

Ao falarmos da educação infantil, ficamos pensando quanto nosso neto de 10 anos é uma criança privilegiada por conhecer Carolina Maria de Jesus, Solano Trindade, Abdias do Nascimento, a história do MNU. Já ter ouvido falar nos quilombos e quilombolas, em Zumbi dos Palmares, Dandara, Tereza de Benguela ou de Quaritere, nos irmãos Rebouças, Teodoro Sampaio, Juliano Moreira, em Cartola, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, Dona Ivone Lara, Clementina de Jesus e tantos outros. Que diferença fará este contato com a história da produção cultural e da resistência negra na formação de um ser humano muito melhor, preparado para relações sociais que enxerguem a humanidade na sua totalidade, na busca pelo bem viver.

Por tudo isso é emergencial que se implemente de fato em todo o país a lei 10639/03 e a 11645/08 em escolas públicas e privadas, da educação infantil ao ensino superior. Necessário ainda criar canais de comunicação nas mídias tradicionais e digitais para que o letramento racial se imponha como forma de extirpar o racismo de nossa sociedade. 

*Regina Lúcia dos Santos é coordenadora estadual do MNU-SP e Milton Barbosa é um dos fundadores e coordenador nacional de honra do MNU.

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