EaD supera matrículas do Ensino Presencial nas IES privadas

EaD supera matrículas do Ensino Presencial nas IES privadas

Dados do censo da educação superior divulgado pelo Inep mostram o crescimento do EaD nas universidades privadas

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais – Anísio Teixeira (INEP) divulgou no dia 04/11 dados do censo da educação superior que mostram que hoje, nas Instituições de Ensino Superior Privadas, há mais estudantes matriculados nos cursos na modalidade EaD (Ensino à Distância) do que nos cursos na modalidade presencial.

Em 2021, a rede particular de ensino superior, apresentou 3.544.149 matrículas nos cursos à distância e 3.363.744 de matrículas nos cursos presenciais. Foi a primeira vez, desde o início do censo e da regulamentação do Ensino à Distância que as matrículas nos cursos presenciais ficou abaixo das matrículas dos cursos à distância. A redução na demanda por cursos presenciais fez com que, em 2022, as Universidades Privadas solicitassem ao MEC o cancelamento de mais de 500 cursos presenciais.

Esse movimento de migração dos estudantes dos cursos presenciais para os cursos EaD já era uma tendência nas Universidades Privadas antes da Pandemia, mas o processo se acentuou com a suspensão das atividades presenciais no início de 2020. As IES privadas se aproveitaram da situação que exigia o distanciamento social para ampliar e potencializar os ganhos com o EaD. Resultado desse processo foi a demissão de professores, fechamento de salas e cursos e aumento e intensificação do trabalho docente.

Embora as IES vejam esse processo como “natural”, a expansão do EaD precisa ser analisada e acompanhada com cautela. Uma das grandes preocupações de especialistas é a garantia da qualidade do ensino promovida na modalidade à distância. Para o  Professor Daniel Cara, da Faculdade de Educação da USP, a modalidade à distância deveria ser tratada como alternativa em ocasiões excepcionais, como a Pandemia, e não como a principal modalidade de ensino nas IES.

“A melhor modalidade de educação é a modalidade presencial. Os alunos aprendem melhor, aprendem entre eles e também aprendem com o professor. Então, a interação é fundamental”, afirmou o Cara em entrevista ao Jornal da Globo veiculada no dia 04/11. 

Além disso, o Professor ainda ressaltou que no caso de necessidade do Ensino à Distância, as plataformas devem ser acessíveis, com espaço para interações entre estudantes e professores é a garantia de uma boa conexão de internet e infraestrutura para que os estudantes possam aproveitar da melhor maneira possível as aulas.

No que se refere aos impactos no trabalho docente, verifica-se, de acordo com estudos realizados por Filipe Bellinaso e Henrique Tahan Novaes, da Unesp, que no Ead, o trabalho dos professores e professoras  sofre  um  processo  de fragmentação   do   planejamento   da   execução, ocasionando, também a fragmentação do processo de ensino-aprendizagem.

Fontes: 

Jornal da Globo (04/11/22) 

Artigo A precarização do trabalho docente na Educação à Distância (EAD) no Brasil: uma discussão teóricaFilipe Bellinaso e Henrique Tahan Novaes

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