“É hora de unirmos forças para atravessar a escuridão”
João Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, conversa com diretores e colaboradores do Sinprosasco
João Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, esteve na sede do Sinprosasco na segunda-feira, 25, para conversar com os diretores sobre perspectivas e projetos em vista das eleições presidenciais de 2022.
O presidente do Sinprosasco, Salomão de Castro, deu as boas-vindas a todos, falou sobre a história de João Paulo e sua atuação junto ao movimento sindical e outros movimentos sociais e comentou sobre a necessidade de compreender melhor a situação política atual do Brasil, para tomar atitudes mais efetivas.
“Iniciamos hoje um ciclo que queremos que seja ampliado para todos os professores da base, pois a questão política é essencial para a continuidade do nosso trabalho e a garantia de direitos. A juventude tem que ter uma orientação e o professor é o caminho mais fácil para que isso aconteça, para que o País seja melhor ou pelo menos volte a ser o que já foi um dia”, disse Salomão.
João Paulo não atua diretamente na política partidária há alguns anos, mas salientou que “continua engajado na luta pela transformação social”.
“Esse é um público seleto e a relação com os alunos exige uma avaliação vertical das coisas.”, disse, referindo-se ao grupo de diretores presente na reunião.
O ex-presidente da Câmara recordou, no início da sua fala que estamos “passando por uma crise sem igual na história da humanidade. Nunca tivemos tantos problemas de escassez de água, poluição e outras questões ambientais tão sérias”.
Ele usou como exemplo as eleições na França e como o candidato de direita teve quase 40% de votos e apontou para o fato de Bolsonaro, no Brasil, ter cerca de 30% de aceitação mesmo com atitudes absurdas como o da antivacina.
“Como é possível ter aprovação de algumas atitudes como o racismo, a misoginia e outros problemas. Essas tendências que acontecem mundialmente, como o que aconteceu na França ou nos Estados Unidos da América, não acontecem localmente, mas chegam em outros lugares, como no Brasil”, disse.

Foto: Nayá Fernandes/Sinprosasco
Todos contra o fascismo
“Temos que atravessar a escuridão. Depois que chegarmos à luz, cada um pode seguir seu caminho”, disse João Paulo referindo-se às alianças políticas que foram feitas para derrotar o Bolsonaro.
Ele recordou que, quando o regime eclodiu na Itália, pensou-se que era algo temporário, mas o fascismo ficou 20 anos no poder, com bandeiras que confundiam as pessoas, como a defesa da pátria e da família.
Sobre a questão do crescimento econômico, João Paulo comentou que, “os principais países da Europa, Estados Unidos da América e China estão com previsão de crescimento de 5% e apenas o Brasil tem uma previsão muito abaixo disso”.
Ele explicou que isso se deve ao fato de o Brasil não ter se preparado para o fim da pandemia. “Em alguns países foi injetado dinheiro diretamente na conta dos cidadãos para fazer com que a economia andasse. O Estado não conseguiu investir e começou a investir mais recentemente, provavelmente mais por questões eleitorais”, disse.
Bolsonaro não tem programa de governo
João Paulo falou, ainda, sobre o fato de o Governo não conversar com a maioria dos países, inclusive os latino-americanos. “todas relações que dificultam a retomada econômica. Nunca tivemos desde a redemocratização uma disputa em que houvéssemos quase 70% dos votos comprometidos. E a tendência é polarizar ainda mais”, comentou, apontando para o fato de as intenções de votos estarem divididas entre Lula e Bolsonaro.
“O PT está propondo, por exemplo, revisar a reforma trabalhista, a questão do aborto. Discutir propostas e projetos de governo, é necessário. O que deveria ser proibido é se esconder atrás do manto e tentar, por meio do medo ganhar a eleição. A minha impressão é que, do ponto de vista de futuro, o País pode sair ganhando com a vitória do Lula. Jair Bolsonaro não tem nenhum programa de governo”, ressaltou.
Sinprosasco
“No caso do Sindicato há uma responsabilidade maior do que a média. O professor é livre para pensar o que quiser e tem um papel essencial na formação das crianças e jovens. A responsabilidade do professor é muito grande neste momento”, salientou João Paulo.
“Eu vi com muita simpatia a chapa Lula-Alckmin porque acredito que, neste momento, é bom juntar todas as forças para vencer a escuridão do fascismo”, continuou.
Sobre São Paulo, ele comentou que “vivemos em um dos estados mais conservadores do País, que se trata do segundo maior eleitorado do País, só atrás do Sudeste. São Paulo tem muito desprezo pelo nordeste. São Paulo tem 24% do eleitorado brasileiro”.
“Encerro efetivamente dizendo o seguinte: O povo precisa consumir. O consumo motiva a economia, se você tem salário, você tem consumo e produção e por sua vez emprego e por sua vez, salário… É uma engrenagem. A elite brasileira sempre tira um dente desta engrenagem. As pessoas estavam consumindo, a ponto de incomodar a elite. Incomoda porque aqui no Brasil há fila pra um ano esperando Porsche e há também fila do osso, esperando a carne do almoço. Vivemos numa situação desumana de disparidade social”, disse.
O que fazer?
Mobilização, organização e bom uso das redes sociais, divulgando, o máximo possível, comentários e campanhas de apoio a Lula.

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