PF apura se escola teve acesso a questões do Enem após suborno


Funcionário do Colégio Christus, de Fortaleza, pode ter pago a fiscal de aplicação do pré-teste e copiado questões

26 de outubro de 2011 | 19h 12

Uma das linhas de investigação da Polícia Federal é que um funcionário do Colégio Christus, de Fortaleza, tenha subornado um fiscal que aplicou o pré-teste do Enem na escola e copiado o caderno de questões, em outubro do ano passado. Nove questões do Enem, realizado no fim de semana, foram usadas em um simulado feito por alunos do Christus dez dias antes.

A escola foi informada no ano passado de que havia sido sorteada para o pré-teste do Enem. O Inep selecionou os estudantes por amostragem. A aplicação das questões ficou sob responsabilidade do consórcio formado pela Fundação Cesgranrio e FUB/Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe).

No pré-teste são distribuídos 16 cadernos contendo 24 questões cada. Nas fotos postadas por um aluno do Christus no Facebook, é possível ver que os simulados de Ciências da Natureza e matemática tinham 24 questões.

Depois da aplicação do pré-teste, os cadernos foram todos recolhidos, levados a Brasília, tabulados e incinerados. O autor das questões selecionadas e compradas pelo Inep deve garantir o sigilo dos itens.

A decisão do MEC de obrigar 639 alunos do Christus a fazer nova prova do Enem baseou-se na nota à imprensa divulgada pelo colégio cearense. No texto, a escola afirma que as questões estavam no seu banco de dados próprio.

Em outubro do ano passado, além do Ceará, o pré-teste de questões foi realizado em outros quatro Estados.

Fonte: www.pgr.mpf.gov.br

 

Diante de vazamento de provas, MPF/CE recomenda anulação do Enem 2011

 

26/10/2011

 

Treze questões do exame eram idênticas a questões de um simulado aplicado em Fortaleza

 

Após ser procurado, na terça-feira, dia 25 de outubro, pelos candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2011), o procurador da República Oscar Costa Filho constatou irregularidade ao comprovar a existência de 13 questões idênticas, literalmente copiadas de um simulado elaborado na cidade de Fortaleza e encontradas nas provas do Enem. O Ministério Público Federal vai encaminhar uma recomendação ao Ministério da Educação e da Cultura (MEC) para anulação do Enem 2011 em todo o Brasil.

 

As idênticas questões das quais o conteúdo foi antecipado foram as seguintes: no 1º dia, prova amarela, nº 87,46,50,74,57,34,33,32 e 2º dia, prova amarela, 113,180, 141, 173 e 154.

 

Segundo o procurador da República Oscar Costa Filho, o problema se repete, apresentando, mais uma vez, um caso de vazamento de provas. Sem necessidade de recorrer à Justiça, o MPF considera a importância da investigação pela Polícia Federal para apurar os responsáveis, mas entende que já há provas constituídas para determinar uma atitude do MEC quanto à irregularidade, que não é mais pontual e atinge todos os inscritos no país. "É necessário que se imponha, de uma vez, a constitucionalidade no Enem, que significa o direito de recorrer em caso dos candidatos se sentirem prejudicados", explica o procurador.

 

Alunos de colégio cearense que divulgou questões do Enem 2011 terão que fazer nova prova

 

26/10/2011 - 18h34

Amanda Cieglinski

 

Brasília – O Ministério da Educação (MEC) vai anular as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) dos 639 alunos do Colégio Christus, de Fortaleza (CE), que tiveram acesso a questões do exame por meio de uma apostila distribuída pela escola semanas antes da data do certame. O ministério irá aplicar uma nova prova para esse grupo de estudantes nos dias 28 e 29 de novembro.

 

Os itens vazaram durante a fase de pré-testes do Enem, da qual participaram alunos da escola cearense em outubro do ano passado. O pré-teste é feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) para avaliar se as questões em análise são válidas e qual é o grau de dificuldade. Os cadernos de questões do pré-teste deveriam ter sido devolvidos após a aplicação e incinerados pelo Inep. A direção do Colégio Christus acredita que os estudantes devem ter repassado esses itens para um banco de questões próprio da escola, usado para confeccionar material preparatório.

 

Para o MEC, o fato configura quebra de isonomia e, por isso, há a necessidade de aplicar uma nova prova para os alunos do colégio. O ministério informou ainda, em nota, que, em caso de envolvimento da instituição de ensino ou de terceiros, “manifesta desde já sua intenção de processá-los civil e criminalmente”. A Polícia Federal continuará investigando o caso.

 

XX

 

Fonte: www.estadao.com.br

 

Colégio vai recorrer e defende anulação de 9 questões do Enem para todos os candidatos

 

Em nota, o Colégio Christus, de Fortaleza, afirmou que simulado que antecipou 9 questões do exame 'alcançou o público em geral'

 

26 de outubro de 2011 | 21h 58

 

O Colégio Christus, de Fortaleza, vai recorrer da decisão do MEC de obrigar 639 de seus alunos a fazer uma nova prova do Enem. Em nota divulgada na noite desta quarta-feira, a escola defende a anulação de 9 questões do exame e afirma que o simulado entregue a seus estudantes 10 dias antes da prova "alcançou o público em geral".

 

Confira a íntegra da nota:

 

"NOTA DE ESCLARECIMENTO AOS ALUNOS E FAMILIARES

 

O COLÉGIO CHRISTUS, considerando a ilegal e abusiva medida anunciada pelo  Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) no sentido de cancelar as provas dos alunos desta escola que prestaram o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), vem esclarecer o seguinte:

 

1. Considerando que a medida anunciada teve por base coincidência de questões entre um trabalho dirigido de responsabilidade do COLÉGIO CHRISTUS e a prova do ENEM, a medida legalmente aplicável seria a anulação das questões coincidentes, e não a submissão dos alunos do colégio a novos exames, especialmente porque a divulgação, 10 dias antes da prova do ENEM, alcançou o público em geral, não tendo sido restrita aos alunos do COLÉGIO CHRISTUS.

 

2. A medida acenada pelo INEP mostra-se inteiramente desconectada da solução do problema, e submete o COLÉGIO CHRISTUS e seus alunos, que não cometeram qualquer ilícito, a uma ilegal penalidade, em manifesto prejuízo, aí sim, à isonomia, uma vez que as notícias correntes dão conta de que a divulgação das questões chegou ao domínio público.

 

3. Acresce que a divulgação das questões possivelmente derivou de pré-testes efetivados pelo INEP, de modo que o COLÉGIO CHRISTUS ou seus alunos, particularmente aqueles que jamais tomaram conhecimento dos pontos suspeitos, não podem ser penalizados de nenhuma forma. Trata-se, portanto, de um problema cuja solução passa pela preservação da isonomia, com a anulação das questões discutidas, e não com a efetivação de outro exame, o que, além de tudo o mais, representaria intolerável dispêndio de recursos públicos, sem nenhum respaldo legal.

 

4. Na situação discutida, já foi afirmada pelo próprio INEP/MEC a inexistência de vazamento da prova, única hipótese que ensejaria a anulação do ENEM e a correspondente submissão de todos os inscritos a novo exame. No caso, não houve a prática de ilícitos, razão pela qual a exclusiva medida possível é a anulação das questões coincidentes, o que restabelecerá a igualdade entre todos os concorrentes.

 

5. A medida adotada pelo INEP, por outro lado, teria que alcançar todos os alunos que tiveram acesso ao material divulgado antes do ENEM, sendo ou não provenientes dos quadros do COLÉGIO CHRISTUS, uma vez que é possível que haja alunos de outros colégios que tenham tomado conhecimento do material (a divulgação foi ampla), assim como alunos do COLÉGIO CHRISTUS que não o acessaram. Como a identificação dos alunos que tomaram conhecimento prévio das questões é improvável, a lógica, o bom senso e a legalidade impõem, como solução, a anulação das questões coincidentes, como forma de restabelecer a isonomia.      

 

6. Assim, considerando que o direito brasileiro só admite a aplicação de sanções quando haja a prática de ilícito, e que o restabelecimento da isonomia, no caso, apenas se cumpriria legalmente com a anulação das questões sob suspeita, o COLÉGIO CHRISTUS promoverá a defesa dos direitos de seus alunos na esfera administrativa e judicial.

A DIREÇÃO"



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